Hoje vamos falar de um tipo de movimento harmônico que nos permite criar multitonalidade. O que significa multitonalidade? Isso se dá quando, em uma sequência harmônica, temos mais de um centro tonal. Nesse caso, podemos falar, também, de tonalidade flutuante.

No específico, quero falar de um sistema por terças menores, algo que teve o seu início na música culta europeia, quando, na segunda metade de 1800, os compositores buscavam meios para fugir à centralidade da tônica.

Vamos conferir o vídeo.

Uma maneira de obtermos uma multitonalidade é o de dividir a escala cromática em 4 partes iguais, como mostra a figura ao lado. Vamos considerar as notas evidenciadas como 4 centros tonais, quatro centros ao redor dos quais se desenvolve uma progressão harmônica. Observamos que, ao lado direito de cada tonalidade, encontramos suas dominantes, e depois seus II graus. Obtemos, assim, 4 centros tonais preparados pelos seus acordes de dominante e/ou pelas suas cadências II-V. Devido à sua simetria, podemos passar de um centro tonal para outro. O resultado é muito interessante, como vimos no vídeo.

Multitonalidade

As cadências servem para preparar o nosso ouvido para o novo centro tonal, e a simetria da progressão se estabelece logo como uma regra previsível para o ouvido.

Observe: estamos usando as 12 notas da escala cromática para obter 4 cadências S-D-T. Temos, portanto, 4 resoluções de trítono diferentes e quatro pontos de chegada.

Podemos nos perguntar, então: qual seria, de fato, a tonalidade? Não temos, aqui, um único centro tonal em volta do qual os acordes se dispõem, mas sim quatro centros tonais diferentes que estão, entre si, em relação de terças menores.

A figura a seguir mostra as duas transposições possíveis do sistema por terças menores.

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